The Wire
In defense of Brazil's much-maligned overground phone lines
There’s a lot to like about Brazil’s urban landscape. São Paulo, for example, has admirably banned all outdoor advertisements over a certain size in attempt to crack down on “visual pollution”, swapping garish billboards for colourful graffiti art the size of tower blocks. But there’s one mainstay element of any Brazilian city which is pretty much universally condemned: visible phone lines.
While in European cities, these cables are entombed safely underground, in Brazil they are strung precariously between lampposts, impossible to tame or ignore. Some particularly chaotic configurations include power lines, breaker boxes and circuit boards in the unholy morass, often topped off by a wayward kite, or a stray pair of shoes tied together at the laces.
In select wealthy areas (literally 1% of Brazil’s electrical grid), these cables have been hidden from view. But the garbled mass of wires is a constant everywhere else, so much so that everyone wearily takes it for granted. I imagine a Brazilian going abroad for the first time, and proclaiming to himself: “these Europeans aren’t all that… they don’t even have the technology to make landline calls! I can tell because there aren’t any phone lines here!”
On one hand, these exposed cables are easier to access and repair. On the other, they’re more likely to break in the first place, and can become a real menace during adverse weather. They also have a nasty habit of short-circuiting at the slightest hint of rain, taking out the whole neighbourhood’s power and communications with them. But getting the cables out of sight and out of mind would be such a huge undertaking at this point as to be virtually impossible.
Unlike most, I don’t actually mind the wires, as volatile and unsightly as they may be. European cables are like, well, Europeans: reserved, demure, hard to get through to. Brazilian cables are a bit of a mess, by anyone’s reckoning. But they wear their heart on their sleeve, and hold nothing back - just like the people they aim to connect.
[Para brasileiros ver:]
Por um fio
Há muito o que admirar na paisagem urbana brasileira. São Paulo, por exemplo, proibiu qualquer publicidade externa acima de um determinado tamanho, numa tentativa de combater a “poluição visual”, trocando outdoors berrantes por pichações coloridas e gigantes. Mas há um elemento em qualquer cidade brasileira que é condenado por todos e todas: as linhas telefônicas.
Enquanto nas cidades europeias esses cabos são enterrados em segurança, no Brasil eles são pendurados precariamente entre postes de luz, impossíveis de controlar ou ignorar. Algumas configurações particularmente caóticas incluem fios elétricos, caixas de disjuntores e placas de circuito, muitas vezes coroada por uma pipa perdida ou um par de sapatos amarrados pelos cadarços.
Em algumas áreas ricas, esses cabos ficam fora de vista. Mas aquela massa emaranhada de fios é uma constante urbana, a ponto de todos a considerarem normal. Fico imaginando um brasileiro viajando para o exterior pela primeira vez, e exclamando: “Esses europeus não são tudo isso… eles nem têm tecnologia para fazer ligações por telefone fixo! Dá para perceber porque não tem nenhuma linha telefônica aqui!”
Por um lado, esses cabos expostos são mais fáceis de acessar e consertar. Por outro, são mais propensos a quebrar pra começa de conversa, e podem se tornar um verdadeiro perigo em condições climáticas adversas. Eles também têm o mau hábito de entrar em curto-circuito com a menor chuva, deixando toda a vizinhança sem energia e sem comunicação. Mas atualmente, tirar os cabos da vista seria uma tarefa tão gigantesca que se tornaria praticamente impossível.
Ao contrário da maioria, eu não me importo com os fios, por mais instáveis e feios que sejam. Os cabos europeus são igual... bem, igual os europeus: reservados, discretos, difíceis de contatar. Os cabos brasileiros, por outro lado, são uma bagunça, sem dúvida. Mas eles também não deixam nada escondido – assim como o povo que eles tentam conectar.


existe uma estética chamada "divine machinery" que retrata coisas tecnológicas como seres divinos e sencientes, e sempre tem uma imagem de cabos emaranhados haha
Acho que o Brasil fez parte de uma estética sem querer