The post-Carnaval aftermath
When Brazil’s New Year begins in earnest
Last week marked the beginning of Chinese New Year, but what many people don’t realize is that, in Brazil, a new year was unofficially beginning as well. As Carnaval draws to a close, the street parties wind down, the votes are tallied and the gigantic props and costumes go back into storage, Brazilians all over the country are forced to face the many commitments they said they’d get round to “after Carnaval”.
It cannot be overstated how little gets done in Brazil between the end of year holidays and Carnaval. Schools break up for the summer, major career moves get put on hold, situationships are kept in stasis in case something better comes along during the Carnaval festivities. “Depois do Carnaval eu resolvo” (“I’ll figure it out after Carnaval”) becomes a mantra, a mood, a coping mechanism. But once Carnaval is over, the piper must be paid.
This scenario takes an immense psychic toll on the average Brazilian. Just think of all the times you’ve said “I’ll deal with this on Monday”, and regretted it when Monday finally arrived - only in this case it’s months’ worth of put-off obligations, and a reckoning of epic proportions. Plus the traffic is terrible, and you’re tired, hungover and probably flat broke, after weeks of partying like tomorrow would never come. But it has come.
This yearly bait-and-switch mirrors the Christian observance of Lent in many regions of the world – go crazy for the first two months of the year, then cut back and repent for 40 days until Easter, as Jesus did in the desert. Except in Anglo-Saxon countries, “going crazy” means making pancakes to use up all the sugar and butter in the house. In Brazil it can mean going on a month-long bender, fuelled by cachaça and dressed only in a mankini.
Which makes the national comedown all the more overwhelming. Especially when the next excuse to abandon all responsibility – the 2026 World Cup – is ages away.
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[Para brasileiros ver:]
A ressaca pós-Carnaval
Semana passada, começou o Ano Novo Chinês. Mas o que muitos não sabem é que, no Brasil, um novo ano também estava começando, de forma extraoficial. Com o fim do Carnaval, as festas de rua e votações se encerram, e os carros alegóricos voltam para o depósito. Assim, brasileiros de todo o país se veem obrigados a encarar os inúmeros compromissos que prometeram cumprir “depois do Carnaval”.
É impossível exagerar o quanto pouco se faz no Brasil entre as festas de fim de ano e o Carnaval. As aulas encerram, grandes mudanças de carreira são adiadas, relacionamentos casuais ficam em suspenso, caso algo melhor apareça durante as festividades. “Depois do Carnaval, eu resolvo” vira um mantra, um mindset, um mecanismo de defesa. Mas, uma vez o Carnaval acabado, chega a dolorosa.
Esse cenário cobra um preço psicológico imenso do brasileiro médio. Pense em todas as vezes que você disse “na segunda-feira eu resolvo” e se arrependeu quando a segunda finalmente chegou – só que, neste caso, são meses de obrigações adiadas, e uma acerta de contas de proporções épicas. Além disso, o trânsito está um caos, você está cansado, desidratado e provavelmente sem um tostão, depois de semanas festejando como se o amanhã nunca fosse chegar. Mas ele chegou.
Esse vai-e-vem anual espelha a observância cristã da Quaresma em muitas regiões do mundo – chutar o balde nos dois primeiros meses do ano, depois reduzir os excessos e se arrepender por 40 dias até a Páscoa, como Jesus fez no deserto. Só que nos países anglo-saxões, “chutar o balde” significa fazer panquecas para acabar com todo o açúcar e manteiga da casa. No Brasil, pode significar entrar numa bebedeira de um mês inteiro, exhalando catuaba e vestindo apenas uma sunga fio dental.
O que torna a ressaca nacional ainda mais avassaladora. Principalmente quando se dá conta que a próxima desculpa para abandonar toda a responsabilidade – a Copa – está longe pra caramba ainda.

